quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Querer estar perto

Quando amamos nós vivemos num estado de suspensão. Queremos sempre o amado (a) por perto. No entanto o que “rola” é sempre a velha história da utopia de perfeição e até a utopia do auto-conhecimento. Queremos que o parceiro seja perfeito aos nossos olhos, mas ninguém consegue atingir a perfeição, justamente pelo fato da própria utopia do auto-conhecimento. Temos a ilusão de nos conhecermos. Mas o que sempre acontece é em algum momento da vida (ou todos os dias) nos perguntarmos: quem somos?
Como queremos nos conhecer, ter esse auto-conhecimeto e compreender o outro se nos dias atuais não temos tempo? E não só tempo, mas também paciência. Temos preguiça de nos relacionar. O que impera hoje é a máxima: “Eu não te ouço e você não me ouve”. Vivemos em um mundo surdo, só escutamos quando nos convém. Só ajudamos quando há interesses. Não nos relacionamos de forma fluídica e desinteressada. Acabamos fazendo o outro como meio, e não como um fim de uma ação.
Podemos pensar no amor. Em todas as suas configurações livres. Mas, o que é amar? O que é amar uma pessoa? Tive a liberdade de colocar aqui neste, “meu” pequeno espaço, um poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado “Quero”, que na minha opinião é belo e expressa o querer estar perto, o bem-querer, e está em sintonia comigo, e com certeza com muitos leitores e leitoras:
“Quero que todos os dias do ano; todos os dias da vida; de meia em meia hora; de 5 em 5 minutos; me digas: Eu te amo. Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo? Quero que me repitas até a exaustão que me amas; que me amas; que me amas. Do contrário evapora-se a amação; pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes apagas teu amor por mim. Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais. Quero ser amado por e em tua palavra; nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso, a perfeita maneira de saber-se amado: amor na raiz da palavra e na sua emissão, amor saltando da língua nacional, amor feito som vibração espacial. No momento em que não me dizes: Eu te amo, inexoravelmente sei que deixaste de amar-me, que nunca me amastes antes. Se não me disseres urgente repetido; Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar, eu me precipito no caos, essa coleção de objetos de não-amor”.
O amor é ordem, o caos a desordem. Sem amor não vivemos, o ser humano se alimenta de amor. O problema é quando a sociedade do consumo coloca os seus produtos no mesmo patamar do sentimento puro, aí o caos se instaura. As pessoas ficam confusas e não diferenciam uma necessidade fetichista de consumo com o amor desinteressado.
Homens e mulheres sentem a necessidade de ouvir e sentir o amor, o amor do amado (a). O belo poema de amor de Drummond enaltece o maior sentimento do ser humano. O texto desta semana é um apelo a todos os leitores e leitoras, para que pensem e reflitam se amam e estão sendo amados.
Não transfira para bens de consumo o potencial emotivo que reside dentro de você. Parece papo de “chalalá”, mas é verdade. Vamos realmente amar uns aos outros. E, principalmente, não esquecer de comunicar isso às pessoas, seja em palavra, texto ou gesto.

2 comentários:

Peterson disse...

"Não transfira para bens de consumo o potencial emotivo que reside dentro de você".

Ora, ora, Ju... dando voltas com psicanálise e teoria crítica?

Abraços

Anônimo disse...

Amar é complicado,pois parece q.amamos sempre a pessoa errada.Qdo.amamos q.dá algo certo...